Resenha número 59.

09 março 2012


Coletânea de Contos
Autor: Caio Thomaz
Editora: Novo Século – selo Novos Talentos da Literatura Brasileira
Nota: 

Sinopse: Este livro não é novo. Ele já existia em sua memória e você não tinha se dado conta. As palavras serão seu guia para a construção de dez histórias fantásticas. Ele lhe mostrará por que cinco jovens ousados sofreram numa casa capaz de realizar seus desejos. Demonstrará do que uma bruxa realmente é capaz. Talvez lhe ensine como ressuscitar um Imperador. Vai lhe ensinar que certas histórias não devem ser contadas sem castigo. Fará com que volte a ter medo de bonecas de porcelana e manequins gélidos, usados como provas de entrega e devoção, assim como de raiva e de destruição. Contará cada detalhe no caso do desaparecimento de uma sábia madame do seu vilarejo, e do fatídico dia em que o Anjo caiu na Terra Sem Nome. Superstições podem ser mortais, tanto para quem acredita, quanto para os incrédulos. Há sempre consequências. Coletânea de Contos explicará por que criaturas simplesmente desaparecem, e outras que só querem aparecer.

Podemos comparar esta obra de Caio Thomaz com muitas das histórias de Stephen King e Joe Hill.
Consegui encontrar uma grande semelhança com “Fantasmas do Século XX”, o qual Hill compôs apenas com contos. São 10 breves narrativas, distribuídas de forma mágica pelas cento e noventa páginas.
Destaco abaixo um trecho de cada conto que me impressionou:

·         Devoção

“Avistou a cova, ainda aberta, agora vazia. Os ossos haviam sido levados ao necrotério. Andou até a beira do buraco e ajoelhou-se, tremulo. Apalpou a terra firme e gelada carinhosamente. O doutor agora chorava baixo. Deitou-se de lado na cova, como se olhasse languidamente para alguém.”

·         Pária

“Houve um momento de silencio o qual meu sorriso pareceu patético diante de tantas máscaras planas e inexpressivas. Então vieram os barulhos.”

·         As bonecas da Senzala

“Caminhei, as pernas bambas, o coração pulsante, tomei cuidado de passar a quatro metros da janela aberta do quarto das empregadas. Alcancei o terreno dos fundos. Distante, onde sempre esteve, se encontrava a árvore. Torta, velha. Mas havia algo a mais. Uma penumbra extra. Era uma silhueta, e não de pé. Estava pendurada pelo pescoço. Cheguei perto o suficiente para constatar que era Serena, morta enforcada. Nada mais me assustava. Estava do lado de fora, todos estavam mortos e não havia nada a perder. Que me tirassem a vida! Que viessem as bonecas! Pro inferno com o medo! Venham! Venham demônios!”

·         O julgamento do anjo

“Xilf fez um leve movimento com a cabeça, apontando para a cela. Os velhos sobressaltaram-se, uns esbravejaram, enquanto outros se encolheram nos cantos da Sala Das Opiniões.”

·         Suspensa em ares finos

“Foi inevitável.
O silêncio da TV, a troca de olhares marejados, o toque, a textura da pele, o beijo...
Passamos a noite juntos. Dormimos abraçados. E sonhei com ele. Acordamos no meio da noite, e foi impossível resistir novamente. Novamente caímos no sono.”

·         O velho e a ave

“Em meio a destroços e tropeçando sem parar, o homem da cicatriz tentava desviar dos gigantes blocos de concreto que caíam do nada e incrivelmente não o acertavam. ‘Vou morrer é agora’, pensava. Nem mesmo o tornozelo quebrado o impediu de chegar à rua. Estava salvo, livre.”

·         A habitante mais velha de Dale

“Sentia uma dor de cabeça excruciante. Não tinha mais sensações nos braços, as pernas formigavam e meu coração parecia estar tendo convulsões arrítmicas.”

·         Acima dos cervos

“Como se assiste a um filme no cinema, assisti à seqüência dos fatos. Vi meu corpo despedaçado onde estava antes, mas agora eu flutuava como o Imperador havia flutuado quando falara comigo. E do alto de minha recente habilidade de voar, reparei que o Imperador não havia morrido, só estava desacordado.”

·         Madame Conselheira

“Ao virar o rosto, o homem estranhou a presença de Madame Conselheira. Seu chapéu de palha encobria os olhos, mas a boca sugeria desgosto com aquela miragem. E na boca, a propósito, queimava um cigarro prestes a arder nos lábios murchos do sapateiro.”

·         A Casa Quebrada

“Jonathan estava sentado nos arames da cama, as pernas cruzadas, a coluna ereta. Uma das mãos segurava o cabelo, e também puxava, e a outra segurava uma grande faca, cortando tão rente ao couro cabeludo que às vezes acertava a pele.”


            Com certeza este último conto trouxe consigo as piores sensações imagináveis e inimagináveis. Com certeza este me impressionou muito mais do que os de Joe Hill. Sua escrita foi mais sanguinolenta e precisa. Aconselho a todos os amantes da boa literatura nacional a darem uma chance ao "pimpolho" do Caio. Mesmo que não seja seu tipo de leitura favorito, se dê a chance de apreciar uma obra diferente. Quem sabe você não encontra nela aquele "quê" que faltava?


 Sobre o autor: Caio César Thomaz nasceu em 1990 em Curitiba, Paraná, mas cresceu na capital paulista e posteriormente mudou-se para o interior, na cidade de Indaiatuba, onde mora com a mãe e o irmão. Esta é sua primeira publicação. Trata-se de uma série de contos fantásticos com diversas abordagens e gêneros, influenciados pelo universo surreal de H. P. Lovecraft, mas, principalmente, pela escrita rápida de Neil Gaiman, e a ousadia de Stephen King. Atualmente cursa Gestão Empresarial.



2 comentários

  1. Nossa, que capa sinistra, porém, nao gosto de livros de contos! rsrs
    abraços


    Faz uma visita? http://olhosleem.blogspot.com/

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  2. Gostei da resenha Pamela. Tem todos os elementos que me seduzem em uma boa trama de terror. Beijo!

    www.newsnessa.com

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