Resenha número 63.

15 março 2012


Noites Brancas
Autor: Fiódor Dostoiévski
Editora: L&PM
Nota: 

Sinopse: Numa iluminada noite de primavera, à beira do rio Fontanka, um jovem sonhador se depara com uma linda mulher, que chora. São Petersburgo está mergulhada em mais uma de suas noites brancas, fenômeno que as faz parecerem tão claras quanto os dias e que confere à cidade a atmosfera onírica ideal para o encontro entre essas duas almas perdidas. Em apenas quatro noites, o tímido rapaz e a misteriosa Nástienhka passam a se conhecer como velhos amigos, mas algo vem atrapalhar o desenrolar romântico deste fugaz encontro. Publicada em 1848, esta história faz parte do ciclo de obras que Dostoiévski (1821-1881) criou após amargar uma forte desilusão amorosa e é a última escrita antes da prisão e do período de exílio na Sibéria.



A história se trata de um rapaz solitário e introvertido, que tem um olhar apaixonado pelo mundo, mas um medo terrível de ser rejeitado.
"Eu já há oito anos que vivo em Petersburgo e, apesar disso, nunca me pareceu que tivesse arranjado um só amigo"
Só então numa noite quando passeava perto do rio Fontanka, encontra uma moça que estava a chorar. O rapaz acanhado, decide perguntar-lhe o motivo da tristeza da jovem, mas tímido, quase perde a oportunidade de falar-lhe, decidindo por fim segui-la de perto a fim de puxar assunto. Sem jeito de se comunicar com ela, mal pressupõe que um velho bêbado que pôs-se a perturbá-la na rua, seria a porta entre a comunicação com a jovem, salvando-a daquele homem estranho.
A história segue uma linha de quatro noites e uma manhã (o fim), onde o jovem se apaixona pela menina de modo tão intenso, que coloca a felicidade dela acima de sua própria, ajudando-a a encontrar o rapaz de quem ela gostava.
Tão poucas noites e muitas reviravoltas, e ninguém consegue adivinhar quem a moça vai escolher: o rapaz solitário, ou o rapaz que tinha seu coração mas foi embora.
"- Pois creia-me, eu não tenho história nenhuma! Porque tenho vivido para mim próprio, como costuma dizer-me, só, completamente só, sempre só, completamente só. Sabe o que significa a palavra 'só'? Pois é isso mesmo…"
Em minha opinião, o drama do personagem principal me irritou bastante, e parecia meio distante dos livros de Dostoiévski, mas é compreensível, já que ele escreveu a história após uma desilusão amorosa fortíssima.
O drama e a solidão do jovem parecia um espelho pra mim, de modo que fiquei pensando: "eu sou assim tão irritante como ele?"


Sobre o autor: Dostoiévski foi um escritor russo, considerado um dos maiores romancistas da literatura russa e um dos mais inovadores artistas de todos os tempos. É tido como o fundador do existencialismo, mais frequentemente por Notas do Subterrâneo, descrito por Walter Kaufmann como a "melhor proposta para existencialismo já escrita." A obra dostoievskiana explora a autodestruição, a humilhação e o assassinato, além de analisar estados patológicos que levam ao suicídio, à loucura e ao homicídio: seus escritos são chamados por isso de "romances de idéias", pela retratação filosófica e atemporal dessas situações. O modernismo literário e várias escolas da teologia e psicologia foram influenciadas por suas idéias.

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