Resenha: Ausência, de Flávia Cristina Simonelli. #112

10 setembro 2012


Ausência
Autora: Flavia Cristina Simonelli
Editora: Novo Século
Nota: 

Sinopse: O que é um homem sem memória? Um homem que não se reconhece mais em nenhum tempo, nenhum lugar, nenhum rosto? Daniel é médico neuropsiquiatra e começa a tratar de Ervin de Apolinário, professor aposentado que apresenta uma doença degenerativa. Tudo estaria dentro da rotina do consultório, não fosse a doença de Alzheimer reavivar na memória de Daniel antigas dores, misturadas à paixão obcecada por Natasha, filha do paciente, provocando a desestruturação de seu casamento e a culpa por transpor seus limites éticos. Ausência é um romance que coloca ao leitor uma questão perturbadora: o que acontece quando a mente começa a apagar as lembranças que constituem a própria biografia? O desenvolvimento do Alzheimer e o dilema de Daniel são o fio condutor dessa trama permeada por relações complexas e questionamentos existenciais que levam a refletir sobre o dinamismo inesperado da vida.

RESENHA


Através de uma narrativa leve e despretensiosa, Flavia tece sobre um mal que atinge cerca de 1,2 milhões de brasileiros (dados da ABRAz), em sua maioria os de idade avançada. O mal em questão é o Alzheimer, onde calcula-se que se perdem pelo menos 40% dos neurônios, atingidos pelo processo de degeneração.
O livro tem como abertura o prefácio de Carlos Moreno (meu xará, rs), ator e diretor de divulgação da ABRAz (Associação Brasileira de Alzheimer), e no trecho destacado abaixo, ele descreve a maneira como a autora expõe o tema através das páginas que se seguiram.

“Através de suas páginas, torna-se possível conhecer e compreender, ou ainda, identificar e reconhecer a dolorosa experiência que é aceitar e vivenciar o próprio diagnóstico de Alzheimer, ou o de um ente querido. Saber que ele nunca mais será o mesmo, mas, sim, uma outra pessoa com a qual teremos que aprender a conviver e a usufruir o melhor que ele tem a nos oferecer a cada dia naquele momento, pelo maior tempo possível.”

Tive o convívio por alguns anos de pessoas que sofriam do mal de Alzheimer e novamente estou tendo contato com um familiar. Realmente, muitos estão despreparados para lidar com essa nova situação. Familiares perdem a cabeça, a paciência e muitas vezes a razão, por não saberem como agir com as pessoas que estão sofrendo. Eles também sentem na pele o quanto é ruim esquecer-se das coisas triviais da vida, como onde mora, as chaves, o caminho de casa.
Mas voltando à história do livro. Ervin é um professor universitário aposentado que se vê num beco ao perceber que está perdendo a memória aos poucos. Infelizmente quando a ajuda médica é procurada, a doença já está avançada e resta pouco para ciência fazer.
O triângulo amoroso/romance travado pelos personagens Daniel, Milene e Natasha em minha leitura ficou em segundo plano, mas o final dado aos três personagens não poderia ter julgamentos melhores.
Realmente, é um livro dedicado não somente aos amantes de uma boa e extraordinária história, mas também aqueles que desejam saber mais sobre as grandes histórias de vidas de pessoas que passam por esta mesma doença. Sem mais palavras, posso apenas dizer que o livro é PERFEITO.
Parabéns à editora pelo belíssimo trabalho gráfico e à Flávia, que me emocionou desde as primeiras páginas. Me sinto privilegiada de poder ler suas obras, que sempre nos passam grandes lições de vidas a serem aprendidas. 


Sobre a autora: graduou-se em Letras e Administração pela Universidade de São Paulo. É escritora e aconselhadora biográfica, e tem seus textos publicados nos sites:


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