[Resenha] Fragmentados

30 agosto 2015

Fragmentados
Autor: Neal Shusterman
Editora: Novo Conceito
Número de Páginas: 368
Sinopse: Em uma sociedade em que os jovens rejeitados são destinados a terem seus corpos reduzidos a pedaços, três fugitivos lutam contra o sistema que os fragmentaria. Unidos pelo acaso e pelo desespero, esses improváveis companheiros fazem uma alucinante viagem pelo país, conscientes de que suas vias estão em jogo. Se conseguirem sobreviver até completarem 18 anos, estarão salvos. No entanto, quando cada parte de seus corpos desde as mãos até o coração é caçada por um mundo ensandecido, 18 anos parece muito, muito longe.

Se mais pessoas tivessem doado seus órgãos, a fragmentação nunca teria acontecido. – O Almirante 

Connor tem 16 anos, uma namorada e odeia a escola tanto quanto odeia seus pais. Não era para ele saber que seria fragmentado, mas digamos que ele é bom em descobrir as coisas. A única alternativa é fugir e se esconder até completar 18 anos. Mas não é bem isso o que ele consegue. De início é abandonado pela namorada e parte sozinho em busca de sua liberdade. Só esquece que seu celular está ligado, e que seu pai estava rastreando seus passos desde o momento em que colocou os pés na estrada.

Risa foi acolhida pelo Estado desde que nasceu. Tem ótimas notas e toca muitíssimo bem piano. Mas, como em todo governo, cortes precisam ser feitos e, mesmo tendo alcançado todo seu potencial, vai ser fragmentada. Durante o transporte dela e de outros jovens para a Colheita Twin Lakes ela vê um garoto correndo na estrada e o acidente com seu ônibus, logo em seguida, foi inevitável. Ela não se machucou, mas foi naquele momento que ela tomou a decisão mais importante de sua vida.

Lev tem 13 anos e foi escolhido pela família para a fragmentação. Ao contrário dos outros dois personagens, ele já sabia disso. Inclusive ganhou uma festa. Isso tudo era motivo para comemoração e ele acreditava que o processo era algo divino, que ele nasceu para isso. E enquanto estava indo para o local onde tudo aconteceria, vê o que aconteceu na estrada. Um garoto fugindo, um acidente com um ônibus e seu pastor dizendo para ele fugir. Mesmo sem saber ao certo o porque daquela ordem, ele corre e esbarra em Connor. Os dois avançam por dentro da mata e encontram Risa. A aventura em busca da vida está apenas começando.

Lev não é confiável, mas Connor e Risa não tem muito que escolher e acabam partindo em busca da civilização mais próxima, ou de um abrigo.

Mas será que os três estarão finalmente livres? Será que eles sobreviverão até os 18 anos sem serem pegos pelos Juvis (espécie de policiais altamente treinados para combater os rebeldes que serão fragmentados)? Quais serão as surpresas que eles encontraram no longo caminho em busca da liberdade?

E se eu te disser que tudo o que contei até agora fazem parte de apenas meia dúzia de capítulos e uma das partes do livro?

Pois é. O autor detalhou quase toda a fuga dos personagens e se ateve em sua maioria apenas nisso.

Os capítulos são alternados entre a observação dos três personagens principais: Connor, Risa e Lev. O livro é divido em sete partes distintas, que mostram a trajetória dos personagens até seus destinos finais, fatídicos ou não.

O que me despertou a vontade de ler o livro foi assistir ao booktrailer, onde encontramos a cena da fragmentação. Ele me deixou enojada e extremamente curiosa, pois queria ver se Neal seria tão fiel assim em sua narrativa. Afinal, para ser bom deveria poder imaginar todos os detalhes em minha cabeça. Realmente tudo foi muito fidedigno, mas rápido demais. Um único capítulo, no finalzinho do livro. E isso me deixou bem brava. Pensei que veria outros processos, até mesmo cenas de tortura (e jurava que isso seria com um dos personagens principais, inclusive com eles fugindo na hora H ou com partes do corpo a menos, rs).
Ninguém sabe como acontece. Ninguém sabe como é feita. A colheita dos fragmentários é um ritual médico secreto que fica confinado às paredes de cada clínica de colheita da nação. Sob esse aspecto, não é diferente da própria morte, pois ninguém sabe que mistérios jazem além daquelas portas secretas. 

Não sei se para os próximos livros Neal guardou mais particularidades acerca da fragmentação, mas posso dizer que, ao mesmo tempo em que fiquei chateda por ter a maior parte da narrativa enrolando até chegarem à Colheita, fiquei contente em perceber o amadurecimento dos personagens, principalmente nos capítulos finais.

Risa é uma mãezona para todos e sabe ser paciente, escolhendo os melhores momentos e as melhores palavras. Connor é o típico herói, sempre auxiliando os outros e levando em consideração detalhes especiais de sua vida para a construção da trajetória que os leva até onde conseguirem. Lev é um crente mimadinho, que só sabe falar no nome de Deus, mas na hora de seguir seus ensinamentos, dá pra trás, sendo covarde ao extremo com os outros e, principalmente, com ele mesmo. Me deixou irritada o livro inteiro, rs.

Ah. Mais um ponto me deixou bem brava. O autor, a todo momento, nos conta o que está observando. Por isso, durante quase que a narrativa toda, os verbos estão direcionados à terceira pessoa, tanto do plural quanto do singular. Mas na página 112, ele usa a palavrinha “aqui”, deixando claro que, além de observar, ele também estava dentro do que estava acontecendo. Meio óbvio que isso não era possível, devido o que estava sendo descrito até o presente momento. Acho que foi um erro básico de revisão da tradução que saiu sem querer, mas que me deixou meio sei lá.

A diagramação interna do livro é relativamente simples, com letra um pouco menor que o padrão da editora. O papel é o mesmo utilizado na maioria dos livros publicados por ela.

A capa retrata a identidade perdida dos que foram fragmentados, mas mesmo assim não a achei bonita. Preferiria a versão francesa da capa (vide foto abaixo). Igualmente simples, mas sem esse borrão que tem na maior parte das edições do livro, rs.


E que a Novo Conceito não demore a publicar o resto da série. Por favor!



2 comentários

  1. Pam, sendo distopia obviamente que esse livro despertou a minha atenção logo que foi anunciado, por isso que eu realmente queria não estar enrolando com as minhas leituras para me dedicar a ele. Desde o lançamento só vejo comentários positivos e isso me deixou cada vez mais animado, mas só fui me ligar no book trailer agora com a sua resenha. Amanhã, assim que entrar na internet, vou assistir e espero ter a mesma sensação que você. rsrs
    Outra coisa interessante que descobri com sua resenha é que o livro faz parte de uma série. Talvez por desatenção isso nem passou por minha cabeça. :x Ou seja, preciso ler o primeiro imediatamente - até mesmo para entender todo o contexto da fragmentação. kkkk

    Beijos,
    Ricardo - www.overshockblog.com.br

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  2. a capa francesa realmente eh mais bonita que a nossa.. eu nao falo nadaa desse livro, ate pq eu to doidaaa para ler! todos estao falando super bem dele e so aumenta minha curiosidade... fico feliz que tenha gostado da leitura :)

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