[Resenha] Escola de Vilões

11 dezembro 2016

Escola de Vilões
Autora: Jen Calonita
Editora: Única
Número de Páginas: 192
Onde comprá-lo: Amazon | Submarino

Sinopse: Gilly não se considera exatamente uma garota má... Porém, quando se tem cinco irmãos e irmãs mais novos, é preciso ser criativo para ajudar nas despesas. Ela é uma ladra muito boa, e disso tem certeza e pode se gabar. Até ser pega. Depois de roubar uma presilha, é sentenciada a passar três meses no Reformatório de Contos de Fadas – no qual os professores são aqueles antigos vilões que já conhecemos, como o grande Lobo Mau e a malvada Madrasta da Cinderela. Quando, porém, ela faz amizade com alguns estudantes, como Jax e Kayla, aprende que esse reformatório vai muito além de sua missão heroica. Há uma batalha ganhando forma e Gilly precisa descobrir: os vilões podem realmente mudar?

 Escola de Vilões estava por apenas quinze reais na Bienal do Livro de SP neste ano de 2016 e é claro que eu não podia perder a oportunidade de comprá-lo, visto que estava com ganas de lê-lo desde sua publicação, no final do ano passado. Também não sabia ao certo se haveria algum tipo de continuação, pois estou evitando séries, trilogias, coisas do gênero. E não me admirei ao terminar a leitura e correr ao Goodreads e descobrir que há mais dois em vista, rs. Sorte pouca heim? Mas acho que, no final das contas, foi uma ótima aquisição, diferente do que aconteceu em 2014, onde a maior parte dos livros comprados e lidos me decepcionou.

Enfim... Em Escola de Vilões conhecemos um outro lado das histórias originais dos contos de fadas. Claro que os vilões existiam. Mas a madrasta de Cinderela resolveu mudar essa visão que todos tinham sobre eles, criando o RFC – Reformatório de Contos de Fada – onde, há cerca de cinco anos (através da perspectiva narrada), os índices de violência e crimes são os menores desde então. Tudo isso está situado na cidade de Encantadópolis e, sem esse meio ao que recorreu, a madrasta nunca mais poderia passar por ali sem ser “apedrejada” e até mesmo “escorraçada”. Tudo isso nos é apresentado logo de cara, através de um dos Pergaminhos de Felizes Para Sempre, espécie de jornal local. Além deste, outros tantos aparecem ao longo da narrativa.

E é então que somos apresentados à nossa narradora/protagonista, Gillian Cobbler, mais conhecida por Gilly. Ela tem apenas doze anos e é a filha mais velha do sapateiro oficial de Encantadópolis. Como o ofício dos pais não anda tendo muitos resultados significativos, ela se vê na obrigação de realizar pequenos furtos para complementar a renda da família. Mas após roubar uma pequena presilha de dentes de dragão, sua terceira infração, ela acaba indo direto para o reformatório, sem data prevista para sua saída do local.

– [...] Você, minha pequena ladra, está indo para o Reformatório de Contos de Fada.

Mesmo com muita luta e tentando reverter isso a seu favor, a jovem acaba indo realmente para o lugar. E chegando lá ela tem uma grata surpresa: ao contrário do que achava, o reformatório é bem mais acolhedor que sua própria casa. Mas ela sabe que Flora (madrasta de Cinderela) está escondendo algo. E é claro que ela vai se meter em enrascadas tentando descobrir o que.

Se a minha diretora está de segredinhos, eu vou descobrir. Talvez algum podre possa ser meu bilhete antecipado para a liberdade.

Logo ela faz amizade com dois internos: Jackson – mais conhecido como Jax – e Kayla. A mocinha acaba sendo colega de quarto de Kayla, mas mal sabe o que a aguarda.

Além disso, em comemoração aos cinco anos da fundação da “escola”, as princesas irão visitá-la. Mas será que vai tudo ocorrer conforme o planejado?

Talvez o ponto mais positivo de toda a leitura seja a personalidade que Jen Calonita criou para a personagem Gilly. Ela defende, protege e alimenta sua família, mesmo que para isso tenha que roubar. Esta é uma das cenas que mais vemos hoje em dia nas comunidades e fundações que abrigam esses menores infratores. Nem todos entram no mundo do crime com a função que a palavra nos remete.

Outra coisa interessante é que toda vez que aparece um pergaminho explicando e mostrando mais sobre a vida de um ex-vilão, ele aparece no capítulo seguinte, como um dos professores de nossa protagonista. É bacana para fazermos uma comparação com o que foi dito e como eles realmente se portam em sala de aula. Acho que se meus alunos pudessem ter isso em mãos, veriam que eu sou mais manteiga derretida do que aparento ser, rs.

Um dos fatos que mais me irritou durante a leitura não foi a questão de erros ortográficos, e sim de erros bobos de separação do que personagem “x” falava e do que nossa narradora acrescentava.

A capa é belíssima e manteve o mesmo padrão dos livros em seu idioma original – o inglês. Talvez o único pecado tenha sido o destaque para o título da trilogia (?) “Escola de Vilões” e não para a palavra chave que dá abertura à mesma, que em tradução literal do inglês é Reprovado. Talvez os demais venham com esta indicação abaixo do título, mas ainda acho que este primeiro deveria ser revisto para as próximas impressões.

No Brasil não há previsão de lançamento dos outros dois livros da trilogia (?), mas já estou ansiosa pela leitura devido os milhares de fios soltos que a narrativa deixa para as possíveis continuações. Escola de Vilões é indicada para aqueles que gostam do mundo fantástico, que apreciam as histórias dos contos de fadas e que se encantam por novas adaptações que unem os dois mundos: o real e o imaginário. 

Livro 2 - Capa americana
Livro 3 - Capa americana

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