[Resenha] A mulher na janela


Tudo começa em 24 de outubro, cujo ano não nos é informado. Anna é uma mulher confinada em sua casa, observando a vida dos vizinhos pela lente Opteka de sua Nikon modelo D5500. Através dela, vê que os recém-casados Motts vão se separar em breve, porque a esposa o trai.  Vê também os Russell se mudando. São um casal com o filho adolescente. Ela sente saudades de seu ex-marido, que está morando com sua filha em outro local. Mesmo conversando com eles todos os dias, como se estivessem ali, ao lado dela, não é a mesma coisa.

Agora, depois de ser diagnosticada com agorafobia, ela passa os dias entre observar os vizinhos, assistir filmes antigos e conversar, ajudar estranhos em um site da internet que aborda justamente esta síndrome. Além disso, ela associa os remédios à muito álcool, mais especificamente vinho. Garrafas e garrafas vão embora e ela nem percebe.


Mas o que acontece na casa dos Russell a deixa paranoica para descobrir: aquilo foi tudo verdade ou era apenas fruto de sua imaginação?


Gente, eu preciso confessar, antes de tudo, que eu realmente achei que acabaria desistindo do livro pelo simples fato de que a leitura não engrenava de jeito nenhum. Comentei algumas vezes com a Mari, colunista daqui, que eu estava achando tudo muito parado e que inclusive tinha criado algumas teorias da conspiração, rs. E foi só depois da metade que realmente o negócio funcionou. Aí caímos naquele velho erro, de fazer tudo acontecer rápido demais... Claro que o final foi chocante, mas igualmente previsível, assim como todo o resto. Dá pra se ter uma ideia do que está acontecendo enquanto o autor vai descrevendo tudo o que acontece na vida da protagonista.

Aos poucos vamos compreendendo o que realmente aconteceu com Anna. Ela tem síndrome do pânico há um ano, depois de algo que aconteceu na última viagem a Vermont, durante o inverno, mudando para sempre sua vida. Além disso, ela é a narradora e demonstra todo o lado psicológico dos demais personagens, observando a forma com a qual eles passam os dias. Na verdade, essa era a profissão dela antes de tudo isso. Ela era psicóloga e trabalhava com traumas infantis.

Mas talvez o ponto que mais tenha me desagradado foi ter adivinhado logo de cara o que aconteceu e como isso se desenrolou. É claro que chegou uma hora que minha cabeça fundiu e eu já não sabia mais de nada, mas aquela surpresa não veio no final das contas. Não sei se o enredo foi tão previsível para outros leitores, assim como foi comigo, mas achei que a autora poderia ter construído o início de uma outra forma, mais contida e sem tantos detalhes. Acho que aí sim eu ficaria feliz e satisfeita com a leitura.

Em contrapartida somos agraciados com um enredo recheado de associações com os filmes antigos que ela assiste, o que ajuda a entender um pouco mais a paranoia dela com algumas questões relevantes, tanto as que acontecem com ela mesma quanto com as que estão ao seu redor.

A capa é belíssima e transmite direitinho o que o livro nos traz, e achei que ficou ainda melhor sem uma mulher na capa, porque assim a forma com a qual nós imaginamos Anna permanece individual. Além disso, ela é toda em soft touch e mancha muito pouco quando apoiamos os dedos (ponto positivo, Arqueiro!). A qualidade do papel seguiu o padrão da maior parte dos livros da editora, em uma textura um pouco mais áspera, mas ainda assim boa. A diagramação interna é relativamente simples e os subcapítulos são curtos e se passam, em sua maioria, dentro de um mesmo dia. Os capítulos maiores são identificados pela data em que acontecem, iniciando em 24 de outubro e encerrando depois de 15 de novembro.


Em suma, o livro é um ótimo thriller, salvo algumas exceções – talvez erros (?) – no processo da escrita. 



A mulher na janela
Autor: A. J. Finn
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 352
Onde comprá-lo: Amazon




Sinopse: Anna Fox mora sozinha na bela casa que um dia abrigou sua família feliz. Separada do marido e da filha e sofrendo de uma fobia que a mantém reclusa, ela passa os dias bebendo (muito) vinho, assistindo a filmes antigos, conversando com estranhos na internet e... espionando os vizinhos. Quando os Russells – pai, mãe e o filho adolescente – se mudam para a casa do outro lado do parque, Anna fica obcecada por aquela família perfeita. Até que certa noite, bisbilhotando através de sua câmera, ela vê na casa deles algo que a deixa aterrorizada e faz seu mundo – e seus segredos chocantes – começar a ruir. Mas será que o que testemunhou aconteceu mesmo? O que é realidade? O que é imaginação? Existe realmente alguém em perigo? E quem está no controle? Neste thriller diabolicamente viciante, ninguém – e nada – é o que parece. A mulher na janela é um suspense psicológico engenhoso e comovente que remete ao melhor de Hitchcock.



5 comentários

  1. Oi!
    Estou vendo muito cometários sobre esse livro, só que o gênero dele para mim não funciona, para mim ler um Thriller ele precisa realmente me chamar muita atenção e não foi o caso desse livro, acho que se fosse ler irei ter o mesmo problema de uma leitura bem arrastada !!

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  2. Pamela!
    Vixe! Não sabia que o livro era tão lento no início e quando engrenou, tudo foi rápido demais...
    Amo thrillers psicológicos também, são instigantes e nos colocam para pensar.
    Bom ver que o autor resgatou um pouco do suspense tenebroso dos livros dos anos 50, deve ser muito boa a leitura e a protagonista enfrentar seus traumas do passado, deixando a dúvida se é ou não real o que vê, porque é alcoolatra, deve trazer grande suspense.
    “Não cruze os braços diante de uma dificuldade, pois o maior homem do mundo morreu de braços abertos!” (Desconhecido)
    BOA PÁSCOA!
    cheirinhos
    Rudy

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  3. Quero muito ler esse livro, me lembrou um pouco a garota do trem, que eu particularmente amei.
    Adorei ainda mais esse por saber que tem essas ligações com os filmes antigos, coisa que eu também amo. Espero muito ler e descobrir o que aconteceu de verdade.

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  4. Eu fiquei apaixonada pela história assim que eu soube do que se tratava o livro e então eu fiquei a esperar na publicação de seu livro pela Editora arqueiro quando ela não sei o que eu deveria ser lançado no Brasil eu fiquei eufórica apesar de ainda não ter sido ele ele já está na minha lista de leituras que eu pretendo começar a ler amanhã e fico muito feliz em saber que você gostou da leitura

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  5. Oii Pamela!
    Estou acompanhando resenhas desse livro desde seu lançamento, gostei do tema que o autor escolheu, pelo que ando lendo estás agradando bastante gte, espero gostar tbm qdo ler, será uma oportunidade tbm pra conhecer o trabalho do autor.
    bjs!

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