[Bienal Online] Entrevista com a autora

27 junho 2014

Olá pessoal, tudo bem? Estou participando da Bienal Online. Tive a oportunidade de elaborar as questões abaixo para que vocês saibam um pouco mais sobre a vida e sobre seu livro, publicado pela Editora Modo. Sabem quem é? É a autora Cristiane Broca e sua obra Cinco Anos.

Vamos conferir?



        Você escreve quando está de férias? 
     CB: Eu escrevo sempre que eu posso, independente de onde estiver. Procuro levar uma caderneta ou folhas avulsas na bolsa, e ter sempre uma caneta, para quando surgir a oportunidade e não tiver meu notebook por perto. Escrevo até quando não estou escrevendo, porque fico imaginando a história e as próximas cenas. Não escrevo todos os dias porque não posso, mas quando pego para escrever, costumo mergulhar na história e não vejo a hora passar. Faço malabarismos com meu tempo para conseguir escrever e surto quando passo muitos dias sem pegar no arquivo do livro.

        Como foi o começo de sua carreira como escritora? 
      CB: Foi de muita ansiedade e expectativa. Eu mal podia esperar pelo lançamento, e procurei curtir cada etapa do processo. Quando os livros chegaram para mim, pirei de felicidade. Foi incrível, e o lançamento também, com meus amigos e familiares. Posteriormente, comecei a adquirir leitores e ainda pretendo batalhar muito até me consolidar no mercado. Faço muita coisa e sofro um pouco por não ser uma pessoa naturalmente focada. Por esse motivo, de vez em quando preciso parar e colocar as ideias no lugar. Divulgo bastante pelas redes sociais, leio todos os dias, e procuro escrever sempre, embora não consiga escrever todos os dias. Ainda estou no começo, e sempre batalhando para me tornar mais reconhecida a cada dia.

       Tem algum momento especial ou divertido que já aconteceu neste período em que você se concretizou como autora?
     CB: Coleciono muitos momentos especiais. Cada mensagem que recebo de um leitor que se emocionou com a minha obra me deixa imensamente feliz. Se puder escolher um momento emocionante, escolho a minha tarde de autógrafos na Bienal do Rio, quando recebi flores de uma leitora que eu só conhecia pelo facebook. Ela foi até o estande, comprou dois livros, e me deu um buquê lindo de presente! Fiquei emocionada com aquele gesto de carinho. Voltei me sentindo realizada do Rio por esse motivo, e também por todas as coisas boas que aconteceram por lá. Se tiver que escolher um momento divertido, escolho um de quando precisei fazer um vídeo curto convidando as pessoas para irem até a Bienal do Rio. No vídeo eu apareço toda desenvolta, convidando todos a irem até o estande do Ases para conhecer o meu trabalho. O que ninguém sabe é que eu devo ter feito uns 30 vídeos iguais até algum sair bom. Eu enrolava a língua, não conseguia dizer o que queria, ficava com cara de tapada, tinha um branco no meio da frase... Tive um ataque porque achei que o vídeo não iria sair, mas no final, depois de literalmente desistir, retomei após um tempo e acabou saindo. É divertido hoje, mas no dia não foi, rsrs.

       Quais livros marcaram sua vida?
       CB: Essa pergunta é difícil porque todos os livros que leio me marcam de alguma forma. Sou da opinião que não existe livro ruim, pois mesmo com um livro que não me agrada completamente, consigo aprender algo novo. Dito isso, vou listar alguns dos que mais me marcaram, começando pelos da adolescência. Li A ilha perdida e gostei muito, especialmente por se passar no interior de São Paulo, em uma cidade que não me lembro, mas era banhada pelo Rio Paraíba, o mesmo que banha a região onde nasci. Também me marcaram muito os livros do Sidney Sheldon. Confesso que não gosto do final de todos, pois sou amante dos finais felizes. Um em especial eu gostei mais, pela força da protagonista. Trata-se de Se houver amanhã, uma história onde uma mulher perde tudo, da pior forma, se vinga, e se torna uma ladra muito esperta que nem o melhor investigador consegue pegar. Também gostei muito de Final de Verão, da Daniele Steel, e de Tempo de Matar, que é um livro que trata da violência e racismo de uma cidade, e do julgamento de um pai que assassinou a sangue frio os homens que violentaram a sua filha. Gosto desse tipo de livro, que envolve julgamentos e tal, porque são livros que estimulam a nossa criatividade e senso crítico.

       Dos mais atuais, alguns livros que me marcaram foram: Métrica, da Colen Hoover, pelas dificuldades que os protagonistas precisam enfrentar ainda tão jovens; A culpa é das estrelas, não preciso nem falar, ele é brilhante; P. S. Eu te amo, porque é um romance diferente do padrão, e mesmo assim muito lindo; Uma herança de Amor, da autora nacional Lycia Barros, porque foi um livro que me marcou muito, especialmente pela questão do perdão e das marcas que os protagonistas carregavam; e o Um dia, do David Nicholls, porque é um romance bem realista, meio triste, e repleto de lições. Poderia escrever páginas e mais páginas, pois como eu disse, todos os livros me marcam de alguma forma. Por enquanto me contentarei com esses acima.



        Quanto tempo demorou para escrever Cinco Anos?
       CB: Levei 3 anos para escrever Cinco Anos. Se você está pensando em escrever um livro e se deparar com a resposta acima, não se apavore, é possível escrevê-lo em menos tempo. Conheço autores que levam apenas 3, 4 meses para concluir um romance, assim como outros que levam anos. No meu caso, alguns fatores contribuíram para a demora da conclusão do livro. Primeiro eu escrevia por hobby, apenas aos fins de semana. E nunca conseguia terminar o livro porque sempre voltava no começo para dar uma revisada e mudava um monte de coisas, praticamente reescrevendo tudo. Nunca liguei de ter que apagar grandes trechos e reescrevê-los, mesmo me atrasando por conta disso. Depois que conheci a autora Lycia Barros e fiz um curso de estruturação de romances com ela, consegui finalizar o livro e estrutura-lo de forma adequada, terminando-o em julho de 2012.

       Os personagens de seu livro são baseados em pessoas reais? Tem algum parente nele, rs?
      CB: Para começar, tem muito, mas muito mesmo, de mim na Ângela. Quando comecei a escrever, eu não queria a típica moça certinha e perfeita, com uma vida também perfeita. Queria alguém com quem me identificasse. Assim surgiu uma personagem imperfeita, cativante, com um passado sofrido e uma vida complicada. Ângela é alguém com quem aprendemos ao longo do livro, porque ela evolui conforme amadurece, faz besteiras, comete erros, e também nos cativa e diverte. Também busquei características de pessoas que admiro para compor o caráter dela e de Malu, sua melhor amiga. Malu é aquela amiga que todo mundo quer ter. Ela é leal, companheira, e tem aquele ar de irmã mais velha que acrescenta leveza à vida de Ângela, como se estivesse tudo bem ela sofrer e errar de vez em quando, porque teria alguém para segurar a sua mão ou lhe dar bronca. O pai da Ângela, Sr. Francisco, foi meio que totalmente inspirado em meu falecido pai. Ele tem o mesmo jeitinho simples, fala caipirês fluentemente (chamando a filha de fia, igualzinho o meu pai), e é a serenidade em pessoa. Mesmo zangado, ele não é do tipo que grita ou perde a linha. Mas possui uma intensidade em seu jeito manso que talvez seria melhor se ele gritasse. Por último gostaria de falar do Marcos. Ele não foi inspirado em ninguém em especial e praticamente já veio pronto, com aquela personalidade forte e irritante. Aprendi muito com ele, que apesar do aparente estilo bad boy, é um ser humano lindo, cheio de sentimentos que insiste em esconder. Acredito que tem muito do autor em cada obra sua. Os livros que escrevemos são parte de nós, de nossas experiências, pensamentos e imaginação. Eles são a nossa janela para o mundo, a forma como enxergamos as coisas. Não é possível um escritor escrever bem sobre algo que desconhece totalmente. Só podemos colocar a nossa alma naquilo que conhecemos.

       Como você tem divulgado o livro?
     CB: Eu divulgo bastante através das redes sociais e faço parcerias periodicamente com blogs, buscando divulgações através de resenhas. Participei da Bienal do Rio em 2013 e participarei da de São Paulo, em 2014. Também coloquei os primeiros capítulos do livro no Wattpad e pus ele a venda na Amazon, com um valor de venda baixo, para atrair mais leitores interessados em conhecer o meu trabalho. Já paguei por banner em revista e fiz vários sorteios juntamente com a minha editora. Faço de tudo um pouco, e procuro aproveitar as oportunidades que surgem. Não fico esperando as coisas acontecerem, procuro ir atrás e batalhar para que aconteçam. Estou bastante feliz com o resultado que tenho tido até agora e procurando aproveitar bastante o carinho de cada novo leitor.


13 comentários

  1. Acho muito importante incentivar os escritores nacionais. Ultimamente e tenho lido muitos livros nacionais e me apaixonado cada vez mais! Amei a entrevista e quero muito ler esse livro.
    Ah, te indiquei pra uma tag: http://www.thousandlivestolive.com/2014/06/tag-conhecendo-o-blog.html
    Espero que responda, beijão <3

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  2. Eu amei, mas amei mesmo, essa entrevista. Respondi tudo de coração e espero que todos gostem das respostas. Obrigada pela oportunidade de participar dessa semana linda. Beijos!!!

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  3. Oiiiiiiiiiiiii
    Muito bom!
    É muito legal conhecer mais e mais sobre os autores!

    Bjocas

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  4. Oi Pam.
    Como assim bienal online?
    Menina, ela também é fã de Sidney Sheldon, meu queridinho, um autor que é marcante pra mim também.
    Gostei de conhecer um pouquinho mais da Cristiane, e torço pra que ela tenha muito sucesso.


    Beijos.
    Leituras da Paty

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  5. Autores atenciosos e simpáticos são tudo de bom <3
    Eu já conhecia o livro da autora e inclusive estava bem interessada na leitura, por isso fiquei mega feliz quando vi a entrevista com ela! Toda sorte do mundo para a autora =)

    Beeijinho. Dreeh
    Blog Mais que Livros

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  6. Não conhecia nem o livro nem a autora e fiquei super interessada!
    Ela reformulou muito bem suas respostas e até me identifiquei com suas leituras, pois também amei o livro "A Ilha Perdida" e muitos outros citados.
    Também sou autora e vivo reescrevendo meus capitulos rsrsrs Compreendo como é.
    Adorei o post!

    Beijos,
    Le Lançanova
    Palácio de Livros

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  7. Eu conheci a Cristiane na bienal do ano passado, mas não tive condiçõe$ de comprar Cinco Anos. Já ouvi boas opiniões a respeito do livro, espero ter a oportunidade de ler.
    Gostei da frase "Escrevo até quando não estou escrevendo", tipo eu com o blog. Fico pensando no que postar quando estou tomando banho, andando de ônibus, cozinhando... Coisa de maluco! hehehe
    Beijinhos!
    Giulia - Prazer, me chamo Livro

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  8. Oláaa!
    Não conhecia a autora nem o livro, mas adorei conhecer um pouco mais sobre ambos.
    Ao saber que eu não sou a única com problemas para concluir um livro, que sempre fica voltando ao início e revisando.... e que, por isso não termina nunca, me consola um pouco. hahah Um dia eu consigo, nem que demore 10 anos. ^^

    Parabéns pelo post!

    Beijos,
    Amanda

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  9. Nossa, nunca ouvi falar de um livro que tivesse levado tanto tempo para ser escrito!! Que bom que depois de fazer o curso ela encontrou um caminho e conseguiu finalizá-lo. E imagino que deva ser difícil interromper a escrita por causa de férias mesmo, acho que para um escritor se desligar só mesmo tirando férias entre a escrita de dois livros.

    Beijo!

    Ju
    Entre Palcos e Livros

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  10. Oi Pam, tudo bem?
    Que bom conhecer mais uma autora nacional. A capa do livro dela é linda!!!! Como ela também adoro Sidney Sheldon e livros e filmes com julgamentos. Gostei dela ter se inspirado no próprio pai para escrever um personagem, achei isso lindo. Concordo com ela, tudo o que a gente escreve, seja um livro, uma carta, um bilhete, uma resenha, são partes de nós, o que pensamos, sentimos, nossas experiências.
    Achei lindo o gesto da leitora em dar flores para ela.
    Sucesso para a autora.
    beijinhos.
    cila-leitora voraz
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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  11. Oi! A autora parece ser simpática e assim como ela... (sou um futuro escritor) tento escrever todos os dias e sempre que possível e ler também... nunca é demais!
    Beijos!
    Misael
    devoradoresde-livros.blogspot.com.br

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  12. Olá tudo bem ?
    Eu não conhecia o livro nem a autora e ela me pareceu ser bem simpática. Eu gosto muito de entrevistas pois elas sempre aproximam mais o leitor do escritor a integração de ambos os lados fica muito boa. Parabéns.
    Beijos, Carlos.

    http://blogchuvadeletras.blogspot.com.br

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  13. Oi Pam!
    Adorei a entrevista e achei a capa do livro muito bonita!
    Beijos

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