[Resenha] Canção do Cuco

13 fevereiro 2016

Canção do Cuco
Autora: Frances Hardinge
Editora: Novo Século
Número de Páginas: 320
Você pode adquiri-lo em: Amazon | Submarino

Sinopse: Você desperta após um ACIDENTE. Você sente uma FOME constante e implacável. Você acorda durante a noite várias vezes, com FOLHAS e TERRA em seus cabelos. Objetos inanimados tentam te atacar. Você atrai TESOURAS. Em seu pranto, no lugar de lágrimas, TEIAS DE ARANHA brotam como fios de DESESPERO. Sua irmãzinha passa a ter um MEDO incontrolável de VOCÊ... Assim tem sido a vida da jovem Triss Crescent. Aos poucos, ela descobrirá que o mal com o qual tem convivido é mais estranho e terrível do que ela jamais poderia imaginar. Tomada por dúvidas, ela parte numa jornada frenética em busca do Arquiteto, projetista de prédios, pontes e destinos sombrios. Acompanhe Triss nesta arrepiante fábula da premiada escritora britânica Frances Hardinge, que desponta como uma das mais incríveis contadoras de histórias de sua geração. Mas lembre-se: nada é o que parece. Nem mesmo você.

A cabeça doía. Um som moía sua mente, um raspar sem melodia, como o farfalhar de papel. Alguém pegara uma risada, amassara-a numa grande bola irregular e usara para rechear o crânio dela. Sete dias, dizia rindo. Sete dias. [Samara feelings, rs]

Uma fábula sinistra e quase moderna. Uma história que envolve inveja, vingança, conflitos e aventuras, tudo isso sem tirar o ar tenebroso da capa.

Canção do Cuco é narrado em terceira pessoa pelo ponto de vista de Theresa Crescent, mais conhecida como Triss. Ela é uma menina de pouco mais de dez anos que acorda toda suja e sem memória depois de um possível acidente próximo ao lago Grimmer, que fica perto da casa de férias em Lower Bentling. Ela meio que vai assimilando tudo, sem ter certeza de nada.

Há algo de errado no comportamento de sua irmã, mas ela não sabe o que é ou o que poderia ter motivado a tais atitudes. Pen, de apenas nove anos, parece não gostar dela. Ou é isso ou ela tem medo. Só depois que iremos descobrir que ela sabe mais do que demonstra.

– Perder, secar, querer.

Seus pais são bem estranhos. Ao mesmo tempo em que enchem Triss de um cuidado exagerado, eles simplesmente desprezam a caçula. Isso me deixou um tanto incomodada, mas confesso que também fiquei curiosa quanto a esse desprezo. Em parte é porque Sebastian, outro filho do casal, foi para a guerra e de lá não retornou. Um fato interessante é que o livro é ambientalizado entre 1923 e 1924, pouco depois do término da primeira guerra mundial. Mesmo depois de terem se passado alguns anos, a família toda vivia em um luto profundo. O personagem, mesmo que morto, desenvolve uma linha de raciocínio em nossa protagonista digna dos maiores cientistas de todos os tempos. Adorei isso, principalmente quando descobri seu propósito, rs.

A história em si é muito boa, assim como a magia criada junto com outros elementos. Os momentos mais macabros são bem diferentes e dão um ar medonho à trama.

A capa é perfeita, os detalhes... Tudo ficou de acordo com o livro. Mas tem uma coisa que me desgostou: a narrativa.

Como eu disse no início, o livro é narrado em terceira pessoa. O principal ponto de vista é o da protagonista, mas algumas poucas vezes ele passeia por outros personagens. Mesmo depois disso tudo, o que realmente me causou estranheza é que do nada entra uma narrativa em primeira pessoa no meio de uma frase aqui e outra acolá, e só o que difere é que está escrito em itálico. Definitivamente eu não gosto disso. E outra coisa, esse tipo de história para causar arrepios devem ser escritos em primeira pessoa o tempo todo. Estar na pele na protagonista é sempre mais assustador.

Eu adoraria estar na mente de Triss quando as folhas secas lhe caiam dos cabelos, ou quando no lugar de lágrimas, saíram teias de aranha. Com certeza sentiria uma agonia muito maior.

Quando se é muito frio, o mundo ao redor torna-se frio também, quem sabe...

Mas enfim, pulando isso, eu aprovei a leitura. Tem até uma moral da história no final. Que eu não direi. Leia e descubra!

A diagramação do livro é relativamente simples, com exceção da parte de dentro da capa. Falando nela, as teias de aranha são em médio relevo. Os tons de preto, branco, cinza e laranja combinaram bastante. Creio que tudo entrou em harmonia. Um fato me deixou um pouco incomodada e foi com relação a erros de revisão. Não sei se foi de propósito, por conta da idade da protagonista e de sua irmã, ou se foi algo que passou despercebido. Mesmo assim, todo o marketing utilizado pela editora para a divulgação do livro foi talvez o que mais nos chamou a atenção, logo de cara. A caixa preta, os cards com frases de efeito, a capa do livro, sombria e misteriosa. Tudo culminou em nossa curiosidade crescente, inclusive por conta da demora de recebê-lo, rs. Espero poder ver em breve outros livros da autora sendo publicados pela Novo Século!

A última coisa que eu digo é: cuidado com as bonecas.

Essa resenha foi escrita em parceria com a Lelê Tapias, do blog Tô Pensando em Ler!

18 comentários

  1. Oi, Pamela
    Nossa, verdade. Narrativas em primeira pessoa tornam tudo mais intenso. Uma pena que a autora cometeu esse deslize. E não confio muito nas revisões da Novo Século. Acho que foram erros mesmo, não propositais kk
    Enfim, esse livro parece ser bem sombrio. A sinopse não revela muito, e gosto disso. Pretendo lê-lo um dia.

    Beijo,
    João Victor - De cabeça para baixo | All POP Stuff

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  2. Oiee.
    tô com vontade enorme de ler esse livro, um suspense que tem criança no meio sempre deixa as coisas mais interessantes.
    Ainda mais ambientado na década de 20 ♥

    Beijinhos, Helana ♥
    In The Sky, Blog / Facebook In The Sky

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  3. Eu li esse livro há pouco tempo e gostei muito da leitura.... com certeza iria ser bem mais agoniante se a narrativa fosse em primeira pessoa. Bjs

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  4. Esse livro parece ser bem sinistro. Embora a narração em primeira pessoa passe mais um sentimento de angustia, dependendo do livro, eu prefiro as narrações em terceira mesmo. O fato do livro se passar em um período tão conturbado deve favorecer o suspense.

    Bjs.

    http://ciadoleitor.blogspot.com.br

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  5. Que capa sinistra, mas bonita mesmo assim. rsrs Não me importo com essas mudanças, desde que seja avisado, sendo assim o itálico já ajuda a não me perder na trama. Já tinha visto essa capa mas nunca li sobre o que era, gostei da trama.
    www.apenasumvicio.com

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  6. Olá, amei a resenha,Adoro narração em primeira pessoa ,mas esse livro é bem sinistro não faz muito meu estilo literário ♥
    Seu blog está lindo ♥

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  7. Oiee.
    Quando comecei a ler, a princípio até me confundi, pois o nome me lembrou "O Chamado do Cuco", da JK Rowling. Confesso que fiquei fascinado pela capa. Achei interessante sua pontuação de que livros com esse clima devem ser escritos em primeira pesssoa, e acho que concordo. Ótima resenha!
    abraços,
    http://chubbleeeu.blogspot.com.br/

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  8. Eu já tinha visto o livro, mas nunca me atentei para a sinopse e tudo o mais. Na verdade ultimamente estou procurando não cair em tentação pq realmente não dá pra comprar nada fora do orçamento, mas confesso que o enredo me deixou curiosa. As três estrelas me deixaram meio desanimada, mas pelo que li da resenha a trama tem tudo para me agradar. Espero lê-lo em breve para tirar minhas próprias conclusões.

    Raíssa Nantes

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  9. Não me interessei pelo livro e continuo não me interessando. Uma pena este probleminha com a narrativa, se podemos chamar assim. Tem horas que o simples é melhor.
    Bjs, Rose

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  10. Olá,

    parece ser muito bom, confundi no início com "O Chamado do Cuco" e adorei a capa! www.sagaliteraria.com.br

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  11. Oii, livro anotado para as próximas leituras!! A sinopse é muito instigante!

    Bjs
    Roberta - www.livrosdabeta.blogspot.com.br

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  12. Oi, Pamela!
    É a primeira vez que leio algo sobre esse livro e ele me deixou muito curiosa. A capa também chama muito a atenção. Por ela dá para perceber que a história é sinistra.
    Beijos

    http://tudoqueeuli.blogspot.com

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  13. Olá, gostei bastante da resenha e fiquei super curiosa com o livro, suspense é sempre interessante
    bjs

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  14. Pamela, eu não tenho preferências entre primeira e terceira pessoa, contanto que sejam boas ^^
    Gostei muito da capa e da trama essa coisa de inveja, vingança e conflitos me ganha.

    Lisossomos

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  15. Olá Pamela!!!
    Eita que essa resenha já me deixou toda arrepiada aqui e com medo, acho que se for ler esse livro terei que esconder todas as minhas bonecas. Mas é tão interessante, a capa é incrível e assustadora que está na lista de leitura agora ;)
    Até uma próxima e deixa eu ver se encontro pra ler com urgência rsrsrs

    lereliterario.blogspot.com

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  16. Oi, Pam, tudo bem?
    Gostei bastante da sua resenha. Ainda não conhecia o livro e também não é o que eu costumo ler. E também não sei se leria, sinceramente, pois não gosto de livros que deixam uma "moral da história" ao final.
    Beijos,
    http://www.quinzeinvernos.com/

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  17. Oie, tudo bom?
    Quando olhei a capa do livro imaginei outra coisa, mas sua resenha me fez ter outra percepção. Que trama misteriosa e instigante, com até lição no final. É um livro que foge da minha zona de conforto e me deixou curiosa. A capa é muito intensa.
    Beijos,
    http://livrosyviagens.blogspot.com.br/

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  18. Pelo que você comentou a pegada deste livro é exatamente o que costuma me atrair em um livro e com uma ideia tão interessante quanto esta devo considerar como uma possível leitura indispensável. É bem verdade que problemas narrativos são sempre horríveis, mas, se for possível "descartar" isso tudo, dá até para aliviar um pouco. Fiquei muito curioso. ;)

    Beijos,
    Ricardo - www.overshockblog.com.br

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