[Resenha] Proibido

26 maio 2016

Proibido
Autor: Tabitha Suzuma
Editora: Valentina
Número de Páginas: 302
Onde comprá-lo: Amazon | Submarino

Sinopse: Ela é doce, sensível e extremamente sofrida: tem dezesseis anos, mas a maturidade de uma mulher marcada pelas provações e privações da pobreza, o pulso forte e a têmpera de quem cria os irmãos menores como filhos há anos, e só uma pessoa conhece a mágoa e a abnegação que se escondem por trás de seus tristes olhos azuis. Ele é brilhante, generoso e altamente responsável: tem dezessete anos, mas a fibra e o senso de dever de um pai de família, lutando contra tudo e contra todos para mantê-la unida, e só uma pessoa conhece a grandeza e a força de caráter que se escondem por trás daqueles intensos olhos verdes.Eles são irmão e irmã.Com extrema sutileza psicológica e sensibilidade poética, cenas de inesquecível beleza visual e diálogos de porte dramatúrgico, Suzuma tece uma tapeçaria visceralmente humana, fazendo pouco a pouco aflorar dos fios simples do quotidiano um assombroso mito eterno em toda a sua riqueza, mistério e profundidade.

Livro resenhado no extinto blog Livros de Cabeceira

Maya e Lochan são irmãos e se veem com a obrigação de cuidar da casa e dos seus irmãos mais novos, pois a mãe não para em casa, vive na casa do namorado e quando está ali, se encontra caindo de bêbada. O pai sabe lá Deus onde está, arrumou uma nova família e os esqueceu. E assim eles vão levando, assumindo responsabilidades que deveriam ser de seus pais. 

Maya tem 16 anos, é uma garota adorável, doce e sensível, muito madura para a idade dela. Lochan ta com um pé nos 18 anos, é generoso, esperto e responsável. Por conta de toda essa responsabilidade, ele é quieto, não se enturma, não conversa, tem pânico de falar e participar das coisas em sala de aula, a única pessoa com quem ele consegue ser ele mesmo é com Maya. Para eles, não são somente irmão e irmã, são muito mais que isso.

Não somos doentios. Somos apenas um irmão e uma irmã que por acaso também são os melhores amigos um do outro. É assim que sempre foi entre nós dois. Não posso perder isso, ou não vou sobreviver.

Proibido é um livro que vi muita gente falar nas redes, porém nunca fui atrás para saber do que se tratava, até que vi a Dessa, do blog Livros e chocolate quente, comentar algo. Logo quando vi que se tratava de incesto, surtei, amo livros com esses temas, só esperei as promoções de fim de ano e comprei.

Ao iniciar a leitura logo percebi que o livro era de escrita simples e cativante, mas também percebi o quão tenso seria, além de doloroso, polêmico e que me faria refletir. Na verdade o livro foi um misto de sentimentos. Sentia repulsa, mas queria que os dois ficassem juntos. Logo depois achava errado e assim foi o tempo todo.

O foco central – lógico – é o incesto, mas também vi que a autora focou na irresponsabilidade de uma mãe. Engravidar para agradar marido é lógico que não dará certo. Logo depois arrumar um namorado mais novo e viver correndo atrás para afogar as mágoas, se acabar em bebidas e esquecer que tem filhos para cuidar. Os momentos que ela aparecia na história me dava um nervoso tão grande, não aceitava o modo como ela largava as crianças, não Maya e Lochan, já que são maiores e sabem se virar, mas sim os pequenos, Tiffin (9) e Willa (5), que eram super dependentes e ainda tinha o Kit (13) que, ao ver o caos que se encontrava a família, se tornou um adolescente revoltado. Ficava me perguntando: porque Deus dá o dom da maternidade para uma vaca dessas? E se formos parar pra pensar existem tantas mães assim. Mas enfim, vocês querem saber do foco central do livro, então bora lá!!!

São eles que estão errados. - repete - Porque eles não entendem, Não me importo se por acaso você é meu irmão biológico. Eu nunca vi você apenas como um irmão. Você sempre foi meu melhor amigo, minha alma gêmea, e agora eu me apaixonei por você também, Porque isso é um crime? Quero poder te abraçar, te beijar e... fazer todas coisas que os apaixonados tem direito de fazer. - Respira fundo. - Quero passar o resto da minha vida com você.

Os capítulos do livro são intercalados entre Maya e Lochan, são narrados em primeira pessoa e é palpável a luta interna dos dois, aquela luta de não saber se aquilo que eles sentem é amor de verdade, aquela confusão, aquele medo. E é assim até do dia "H" onde eles descobrem o verdadeiro sentimento de um pelo o outro, mas quem disse que ficará mais fácil? É aí que a situação piora 100%. Essa luta aumenta. Para Maya o romance está no ar, ela sabe que é proibido, que é errado, mas ela quer tentar, sempre arruma um jeito, um pretexto de ficarem juntos. Para Lochan é pior, pois ele tem consciência do quanto é errado, tenta evitar, tenta se segurar e o pior é que ele é quase maior de idade... ou seja, se alguém os pegar no flagra, ele será o errado.

É tudo muito forte, senti agonia, chorei, sorri, queria entrar no livro e abraçar, dar meu ombro para eles chorarem. Torci por eles, confesso! Mas ao mesmo tempo eu acusava. É um livro arrasador, perturbador, de uma carga emocional tão grande que você tem que estar preparado para aguentar.

- Não há leis nem limites para sentimentos.

E o final? Que final! Juro que li e reli querendo que mudasse. Mas não, tinha que ser aquele, Lochan não seria ele mesmo, se não fizesse aquilo.

Nem precisa dizer o quanto amei o livro, posso falar e falar e nunca vou falar tudo o que senti, só quem leu entende. Um livro que recomendo a todos. Um livro que questiona nossos princípios, regras e sociedade.


- Nesse momento, a única coisa que eu sei é que te amo - digo em meu desespero contido, as palavras se derramando por conta própria. - Eu te amo muito mais do que como um irmão. Eu te amo... de todas as formas possíveis e imagináveis.

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